Pastorais
MANTENHA A CASA EM ORDEM

5 de setembro de 2014

O comportamento compulsivo é uma patologia que tem como característica principal o desejo descontrolado por algo que, inicialmente promove muito prazer, mas em seguida gera sentimento de culpa e mal-estar. Dentre tantas compulsões, uma que chama a atenção é a disposofobia ou acumulação compulsiva. São chamados comumente de “colecionadores de lixo”, pois não conseguem desfazer de objetos inúteis e insalubres que muitas vezes produzem mau cheiro e atraem insetos e roedores.

A alma humana pode ser comparada com um porão que acumula diversos objetos ao longo da vida. São os conteúdos adquiridos através de relacionamentos saudáveis e prejudiciais, lágrimas que resultaram de alegrias indizíveis e tristezas profundas, vitórias inesquecíveis e derrotas que não se apagaram. Enfim, uma dispensa com sabores e dissabores armazenados no interior de cada indivíduo. Por um instante, muitos percebem a necessidade de reorganizar-se, consertando o que é possível, se desfazendo do que está em desuso e promovendo a limpeza que resulta no bem estar e na saúde.

No entanto, quais os critérios para guardar o essencial e desfazer o supérfluo? Como não ser um colecionador de lixo emocional e psicológico? A fé em Cristo Jesus remove toda sujeira acumulada na alma e purifica o homem das culpas e dos traumas decorrentes da natureza caída e dos pecados do passado: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” 2 Co 5.17. A Bíblia também garante que os pecados do presente, quando confessados, são perdoados e lançados por Deus nas profundezas do mar (Mq 7.19). O problema acontece quando há resistência para desfazer dos entulhos do coração, capazes de promover até o envelhecimento precoce dos ossos (Sl 32.3).

O Espírito Santo habita naqueles que confessam Jesus como salvador e os convida, permanentemente, para lançar fora todos os utensílios da alma que roubam a paz, o sossego e a alegria. Ele também os instrui quanto aos elementos que devem ser guardados nas mentes dos crentes: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Filipenses 4.8).

A alegria verdadeira é adquirida à medida que a sujeira do pecado é removida e o fruto do Espírito se desenvolve com vigor e eficácia. Não entulhe seu coração com objetos impróprios e desnecessários. Busque a presença do Senhor, transborde-se do Espírito (Ef 5.18b) e experimente a leveza de alma que somente Deus pode conceder aos seus filhos.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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