Pastorais
Nos porões do Carnaval

21 de fevereiro de 2013

Nesta semana acontece o maior evento festivo do Brasil. Milhares de pessoas, especialmente jovens, se organizam para vivenciar o ponto alto da “vida”, da alegria e da euforia. Os ingredientes são os mesmos em todos os cantos: música, dança, sensualidade, álcool e outras drogas, além do forte incentivo à promiscuidade. A libertinagem é o recheio principal, pois é a grande oportunidade no ano de se apresentar uma liberdade sem qualquer teor de bom senso e limite. As amarras sociais que visam estabelecer a ordem são rompidas, promovendo assim o extravasamento da prática hedonista, onde o prazer é cultuado sem qualquer reserva.

Fantasias coloridas, carros alegóricos, presença maciça de famosos, apoio governamental, um pseudo ambiente familiar com pais e suas crianças propõem embalar o carnaval com uma roupagem de expressão cultural brasileira, alegre, intensa e criativa. Uma arte popular conhecida mundialmente e que atrai turistas de todos os lugares. Também é verdade que alguns participam apenas como observadores e admiradores, mantendo-se distantes das contaminações mais comprometedoras do ambiente.

É curioso o quanto a mídia vende todo esse pacote destacando apenas o lado positivo. Quantos anúncios, chamadas, reportagens, entrevistas, horas de programação no ar divulgando maciçamente os detalhes interessantes do evento e os seus bastidores. Por outro lado, nunca se ouve com precisão acerca do lado sujo da festa, a não ser quanto aos acidentes no trânsito e suas vítimas decorrentes do feriado prolongado. Onde estão os números que apresentam os comas alcoólicos, as overdoses, o aquecimento do comércio de entorpecentes, a banalização da relação sexual, a falta de educação dos brasileiros depredando o patrimônio público, deixando muitas cidades semelhantes a lixões, as agressões físicas, às vezes, com vítimas fatais nos incontáveis galpões de folia deste país? Enquanto os carros alegóricos desfilam, enquanto as bandas tocam, enquanto os holofotes se voltam para os palcos, muita coisa triste, irreversível e deprimente acontece nos porões do carnaval.

Na quarta-feira a farra acaba, os músicos vão embora, os holofotes são desligados, a mídia muda de assunto, mas o estrago na vida de inúmeras pessoas e lares permanece. É exatamente nesta hora que temos que agir como igreja do Senhor Jesus. Primeiro, olhando para essa multidão e tendo compaixão. Eles buscam essa alegria transitória porque não encontraram Aquele que promove o verdadeiro sentido de viver, que faz os corações transbordarem da paz que excede a todo entendimento. Segundo, indo ao encontro destes aflitos e exaustos e apresentar o bom pastor, Jesus Cristo, nosso Senhor. Esta é a grande missão da igreja, falar de esperança a um mundo desesperado, falar de vida às pessoas que caminham para morte, falar de alegria àqueles que precisam de tanto barulho, cores e enfeites para ter, pelo menos, um pequeno período de prazer.
Cabe à igreja recolher os cacos do carnaval e revelar o amor Daquele que deu a vida pelos pecadores.

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Rev. Alexandre Sena

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