Pastorais
O CONTEÚDO NUMA CULTURA DE RÓTULOS

14 de novembro de 2014

A função de um rótulo é atrair o consumidor e despertar nele o desejo pelo produto embalado. Por isso, o cálculo exato de cores, expressões e formatos para comunicar que aquele objeto é indispensável. Aliás, não são poucas as vezes que a embalagem ou a propaganda supera a qualidade do objeto envolto.

A cultura do rótulo não se restringe aos produtos, mas extrapola para o mundo dos humanos. Num contexto de intensa competitividade e exposição da imagem, os valores estéticos são decisivos na formulação conceitual acerca de alguém. Grifes, cirurgias plásticas e academias se unem para expor com o máximo de eficiência a beleza externa de cada indivíduo. Sendo assim, muitos recorrem a estas alternativas em busca de uma apresentação que corresponde às exigências vigentes.

Não há qualquer restrição bíblica quanto ao cuidado com o corpo, pelo contrário, existem inúmeros princípios que auxiliam na obtenção da saúde. Por exemplo, moderação em todas as coisas (Fp 4.1), domínio próprio (Pv 25.28), e repouso confiante ( Sl 3.5). O cumprimento dos mandamentos de Deus promove não somente a edificação da alma, mas também a saúde do corpo.

No entanto, o problema surge quando a prioridade é a embalagem e não o conteúdo. Este foi um tema que Jesus enfatizou em seu ministério. Os líderes espirituais do seu tempo se importavam demasiadamente com o marketing pessoal e menosprezavam os verdadeiros elementos que promoviam a qualidade interior: “Respondeu-lhes (Jesus): Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” Mc 7.6.

O apóstolo Pedro também ensina as mulheres do seu tempo acerca deste assunto quando escreve: “Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus” I Pe 3.3,4.

A ênfase dos cristãos precisa ser o fruto do Espírito que embeleza a alma, testemunha Cristo e glorifica a Deus. Não há necessidade de se submeter à cultura do culto ao corpo, pois a mesma não é capaz de gerar vida e paz interior. O convite de Deus é para que seus filhos cuidem primordialmente do conteúdo de seus corações através de uma vida de piedade e devoção. Ao proceder desta forma, naturalmente, o próprio Espírito de Deus promoverá a santificação do corpo, como escreveu o apóstolo Paulo: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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