Pastorais
O JOGO NÃO ACABOU!

14 de agosto de 2020

Apesar da possibilidade de contestação quanto à precisão dos números, os dados oficiais informam que a pandemia do coronavírus já matou mais de 100 mil pessoas no Brasil. De acordo com um levantamento realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos EUA, mais de 730 mil pessoas no mundo perderam suas vidas pelo mesmo motivo. Estes números revelam o luto e a dor de milhares de famílias que pranteiam a partida dos seus entes queridos vencidos por um vírus, muitas vezes, implacável, cruel e mortal. Não é possível ignorar a dor acrescida em muitos pela impossibilidade de sepultar seus parentes e amigos.

Por mais que haja um esforço pessoal, familiar e social para blindar a realidade dos fatos, o momento é trágico e inacabado. A pandemia segue seu percurso e mesmo os mais otimistas não podem prever com segurança a ligeira passagem da densa nuvem. A tempestade ainda está presente e as pessoas precisam se manter protegidas, afinal, não são poucas as vezes que um time perde porque absorve a vitória antes do término do jogo. Na dúvida, proteja-se, se possível, continue em casa, evite ao máximo o contato com pessoas do grupo de risco, ou seja, mantenha a concentração e a vigilância que o momento exige.

O isolamento social pode produzir exaustão e, às vezes, a necessidade de espairecer, caminhar ao ar livre e arejar a mente. Nestes momentos, cumpra todo o protocolo para a autopreservação e também para o cuidado com os demais. Uma frase dita pelo meu sogro se aplica muito bem aos dias atuais: “se corre o risco de errar, melhor que seja pelo excesso de zelo do que pelo desmazelo.” A igreja foi chamada para ser luz do mundo, sal da terra e diante de um período crítico e delicado é necessário calcular bem as palavras, opiniões e decisões que irão afetar a si mesmo e aos outros. Tudo precisa ser feito visando a glória de Deus e o amor ao próximo. É importante não ter tanta segurança acerca de um tema (COVID 19) envolto de incertezas e contradições.

Ao expor o propósito de Provérbios, o autor deixa claro que a prudência é um tema central no livro: “para dar aos simples prudência e aos jovens, conhecimento e bom siso”. Salomão utiliza três palavras hebraicas que são traduzidas como prudência. Estes termos expressam a necessidade de agir com precisão, astúcia, esperteza, percepção e persuasão (Pv 1.5; 8.5;8.12; 9.9-19; 15.5; 16.16; 19.25). O Senhor diz através do profeta Isaías que a prudência seria uma característica do Messias: “Eis que o meu servo procederá com prudência”. O ministério de Jesus revela o quanto ele observava com cautela, discernimento e atenção a realidade para responder com entendimento e assertividade cada uma das situações.

Enquanto os números expressarem que a situação não está controlada, enquanto a solução definitiva não for oferecida, enquanto a aglomeração for uma ameaça, seja prudente! Não celebre uma vitória que ainda não aconteceu e não acredite numa segurança mágica que não existe. O desejo pelo término da guerra não diminui os ataques do inimigo. Os dados podem ser contraditórios, mas os que estão nos leitos e aqueles que tiveram suas vidas ceifadas revelam uma realidade ainda difícil. Que o Espírito de Deus derrame paciência, perseverança, discernimento e prudência sobre a igreja para que a mesma tenha acesso à vitória quando o juiz sinalizar que o jogo acabou!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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