Pastorais
O paradoxo da maturidade

13 de fevereiro de 2014

Os desenvolvimentos cognitivo e emocional das crianças são fatores determinantes para diferenciar o homem das demais criaturas. Cada etapa do processo evidencia as peculiaridades da alma vivente concedida pelo Criador (Gênesis 2.7). Os pais são comissionados por Deus para vivenciar com entusiasmo, surpresa e encanto a imagem de Deus revelada no ser humano nesta fase singular. No entanto, a agitação, a displicência, a rotina e tantos outros obstáculos, podem impedi-los de contemplar nos detalhes estes reflexos da imagem divina nos filhos.

Crianças crescem e assustam seus pais quando sinalizam que estão voando rumo à maturidade. Esse rompimento gradativo é angustiante, afinal, para muitos casais (especialmente para as mães), nunca deixará de ser a criança indefesa e dependente que quando chora, é socorrida às pressas.  Mas assim é o ciclo da vida: no primeiro momento carrega, depois ensina a andar, diz pra tomar cuidado quando corre e vê partindo com as próprias pernas para construir sua própria história.

Paradoxalmente, a maturidade cristã se desenvolve no caminho contrário ao descrito acima. Em decorrência da rebeldia de Adão e Eva, todos nascem inimigos de Deus e distantes da sua casa. Não há diálogo e comunhão com o Criador. Por isso, Cristo vem ao mundo para morrer numa cruz maldita, ressuscitar e conceder ao homem esperança e possibilidade de voltar para casa do Pai, como ensina a parábola do filho pródigo (Lc 15.11-32). Se no desenvolvimento natural, os filhos são preparados para partir, no relacionamento com Deus, Cristo traz os filhos para casa do Pai.

Após retornar para os braços de Deus, o desafio é reconhecer que Ele é o alvo de todo amor, louvor, honra e glória. Senhor do ouro e da prata, mas também da vida e de tudo que pertence aos seus filhos. Ele estabelece sua vontade e convida os que lhe pertencem a descansar e confiar, pois está no controle absoluto de todas as coisas. Por isso, o convite para consagração,  dependência e devoção sincera. Se os jovens trilham rumo à independência da fase adulta, os cristãos consagrados aprendem a depender progressivamente do Pai.

Crentes consagrados entendem que a segurança está em Deus e não nas suas forças. Aprendem que as dádivas não são conquistas pessoais, mas manifestações visíveis do cuidado de Deus. Por isso, cheios de gratidão e alegria reconhecem Deus como salvador, supridor e mantenedor de suas vidas.

Rev. Alexandre Sena

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