Pastorais
O PARADOXO DO RETORNO

25 de julho de 2020

Os movimentos para o retorno do culto público provocam uma avalanche de sentimentos contraditórios. Por um lado, a alegria de reencontrar irmãos queridos que durante meses estiveram distantes e privados desta benção instituída por Deus. A celebração eucarística, a exposição bíblica e o louvor comunitário produzem jubilosas expectativas. Por outro lado, imaginar que as crianças e os irmãos do grupo de risco não acompanharão o movimento inicial de retomada dos cultos presenciais produz um desconforto profundo e doloroso.

Desde os primórdios da igreja, o convite é para que todos congreguem e busquem a unidade estabelecida a partir da fé em Cristo. A liberação para alguns e a restrição para outros não faz parte do caminho natural e original da igreja. Somente uma imposição legal decorrente de um momento histórico crítico e ameaçador pode produzir esse desarranjo. Por isso, obviamente, pastores que zelam pelo rebanho de Cristo seguirão as leis vigentes e orientarão os membros do grupo de risco e as crianças a permanecerem com as celebrações virtuais.

A Bíblia orienta os cristãos a enfrentar momentos como esse. O autor do salmo 42 está distante do templo e o texto revela o quanto a sua alma está abatida. As lembranças detalhadas são regadas por lágrimas que encharcam um coração sedento por Deus. No Antigo Testamento, o templo representava a presença de Deus entre o povo. Hoje, a igreja tem o Espírito Santo habitando em cada discípulo de Cristo. Entretanto, a procissão dominical à casa de Deus, os gritos de alegria no louvor e a multidão em festa acontecem apenas através do santo ajuntamento.

No verso 5 do capítulo 42, o salmista ensina a postura quando impossibilitados da celebração comunitária: 1) Espera em Deus – o desconforto presente não foge ao controle do Senhor e a espera paciente e alegre revela confiança e fé; 2) …pois ainda o louvarei – a esperança do reencontro para adorar em comunidade precisam aquecer os corações, pois isso, cuidado com o risco do esfriamento espiritual; 3) …meu auxílio e Deus meu – o pronome possessivo no final do verso merece destaque. A igreja é propriedade de Deus e o cuidado paternal sempre estará à disposição dos seus filhos. Por isso, espere confiantemente no Senhor e aguarde pacientemente pelo dia em que estaremos todos juntos para celebrar a fé com louvor e gritos de alegria.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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