Pastorais
O tiquetaque da vida

29 de maio de 2013

Um dos instrumentos mais metódicos e precisos que o ser humano já criou foi o relógio. Alguns afirmam que o inventor desta máquina foi o monge budista chinês Yi Xing em 725 a.C. No ocidente, mesmo com alguma divergência, atribui-se a criação do primeiro relógio ao papa Silvestre II. A partir daí, são inúmeros os modelos, as marcas e as tecnologias utilizadas para este aparelho. O leque de opções é tão amplo que você encontra relógio que custa de dez a quarenta e quatro milhões de reais. (cybervida.com.br).

Toda organização social gira em torno da relação indivíduo/relógio. Despertadores estridentes anunciam que está na hora de levantar e, a partir daí, passar o dia todo averiguando as horas que conectam um compromisso ao outro. Diante desta dinâmica frenética, raramente percebemos que o relógio não apenas anuncia onde estamos no tempo, mas também que o tempo está passando e nossas vidas caminhando para um fim que se abrevia.

Nossa época é marcada por um conflito entre pessoas e relógios, pois estamos sempre reclamando da falta de tempo ou achamos que os ponteiros estão trabalhando numa velocidade acima da permitida. Desta forma, repetimos insistentemente: “o tempo está passando tão rápido”.

O que está acontecendo com nosso tempo? Tenho algumas sugestões! Com a revolução tecnológica iniciada há algumas décadas, impusemos um ritmo quase incontrolável para nossa sobrevivência. Os carros que deveriam nos levar de um lado para o outro com mais rapidez, estão presos no congestionamento e as motos que evitam o congestionamento são responsáveis pela maioria dos acidentes. Os telefones que tinham a função de promover comunicação entre pessoas distantes se tornaram objetos inseparáveis do corpo humano e por isso, os termos privacidade e descanso desapareceram, pois em qualquer lugar vão te achar. O computador que no início era uma ferramenta de trabalho, agora oferece uma infinitude de entretenimentos que tragam vorazmente o tempo. Por último a TV, que ainda é uma das ferramentas mais eficazes no consumo inútil do tempo. Agregado a tudo isso, vivemos um momento de oportunidades no país, onde adultos e jovens trabalham, estudam e se dedicam exaustivamente em busca de uma posição melhor na escala social. Prova disso é o crescimento da classe média nos últimos anos. As crianças não ficam de fora, desde os primeiros anos são responsáveis por uma série de compromissos no dia, comprometendo até mesmo o tempo para brincar.

Não tem como voltar à realidade dos nossos avôs, quando o tempo parecia passar com mais tranqüilidade. Não é possível frear a velocidade dos relógios.  Resta-nos apenas uma saída, organizar nossa agenda, estabelecendo o que é prioridade. Talvez aqui esteja nosso maior problema, pois, provavelmente, a busca por Deus, o tempo de oração e meditação na palavra, não estão nas principais pautas do dia. Com isso, revelamos os valores que regem nosso coração na busca por aquilo que entendemos como significativo para vida.

Como ensina Salomão, corremos atrás do vento, priorizamos e nos matamos pelo supérfluo, queremos ganhar o mundo e esquecemos que podemos perder nossa alma. Pare um pouco, contemple por um instante os ponteiros do relógio e perceba que o tempo não para. Em seguida, redefina sua vida, seus valores, seus compromissos e priorize a relação com Aquele que acrescenta as demais coisas. Por fim, siga a dica de Benjamin Franklin: “Não desperdice o tempo, pois é disso que a vida é feita.”

                                                                                                                                                                                                        Rev. Alexandre Sena

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