Pastorais
ONDE ESTÁ DEUS, AGORA?

11 de abril de 2020

O ateísmo prático se estabelece a partir do momento em que a crença na existência divina se desconecta da cognição, da emoção e da vontade. Em decorrência de uma herança cultural, o indivíduo afirma que Deus existe, mas isso não interfere nos hábitos, valores e escolhas do cotidiano. Uma relação impessoal, superficial e descomprometida com o sagrado.

Uma sociedade secularizada é composta por ateus convictos e práticos. Diante de uma tragédia, catástrofe ou calamidade, o primeiro grupo tenta limitar as explicações dos fenômenos e eventos de maneira racional e objetiva. O segundo grupo, pode iniciar um processo de questionamento da bondade de divina por causa da desordem instaurada.

Como questionar as ações daquele que é ignorado e tratado com tanta indiferença? Quais motivos sustentam a revolta contra aquele que faz a vida transbordar de maravilhas? É confortável para homens individualistas e autocentrados transferir para Deus a responsabilidade das próprias mazelas.

A terra está tomada pela maldade. A corrupção, o engano, a injustiça e a miséria contaminam o mundo. O restrito acesso a estes conteúdos já nos produz tanta indignação, imagina quando o Deus santíssimo se depara com todos os crimes da humanidade! Como Ele deveria reagir ao descaso debochado com os seus princípios? Por que se manteria indiferente diante de uma religiosidade hipócrita e que diz aberrações em seu nome?

A opção pela morte e pela jornada de sofrimento foi do homem. Os primeiros pais usaram da liberdade para trilhar um caminho sem Deus. Toda tragédia individual, familiar e social está enraizada nesta escolha. No entanto, o Deus amoroso enche a terra da sua bondade: “Ele ama a justiça e o direito; a terra está cheia da bondade do SENHOR.” Salmos 33:5. É pela misericórdia do Senhor que os homens não foram consumidos (Lamentações 3.22,23).

Aos ateus convictos e práticos, aos agnósticos e aos culturalmente religiosos que desejam saber onde Deus está neste momento, precisam antes olhar para a cruz e para o túmulo. O filho único de Deus foi enviado a esta terra amaldiçoada para experimentar das amarguras dos viventes. Enquanto desenvolveu seu ministério, curou os enfermos, ressuscitou os mortos, multiplicou os pães e revelou sua profunda e incondicional compaixão. No entanto, os religiosos e políticos do seu tempo se sentiram desconfortáveis com a sua presença e o crucificaram.

A morte de Cristo na cruz era o plano divino para trazer salvação ao homem cansado de um mundo perverso e cruel. O sacrifício do filho de Deus perdoa os pecados e concede vida eterna a todos que creem nele. Ele não está na cruz porque foi levado ao túmulo. Então, neste momento, Deus está sepultado num túmulo? Não, pois, Ele ressuscitou! Ele venceu a morte e, por isso, concede vida eterna a todo aquele que nEle crê. Onde está Deus, agora? Está assentando no trono, reinando sobre terra e céus (Apocalipse 5.13). Ele está nos corações dos seus filhos concedendo-lhes paz, amor e alegria, mesmo em tempo de tribulação (Gálatas 5.22). Ele está preservando a vida e orientando os homens na busca pela solução dos seus males. O problema da morte, porém, somente Ele pode resolver. Onde está Deus, agora? Ele está dizendo: “Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados que eu lhes darei descanso” (Mateus 11.28). Feliz Páscoa!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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