Pastorais
REEDITANDO: CEIA DO SENHOR DEVE SER “ON LINE”?

7 de agosto de 2020

Voltaremos ao assunto que muitos continuam em dúvida. Afinal, podemos participar de uma Ceia do Senhor on Line? Reeditamos aqui, nossa decisão para ajudar a orientar a família da fé.

Na Reforma Protestante, “Calvino e os teólogos reformados estavam de acordo com Lutero quanto à confissão de que a Igreja é essencialmente uma communio sanctorum, uma comunhão dos santos.” (BERKHOF, 1990).

A Ceia do Senhor foi instituída pelo próprio Senhor Jesus Cristo, quando estabeleceu na Igreja dois sacramentos (sacro = santo + mandamento = ordem). O primeiro sacramento é o batismo e o segundo a Ceia do Senhor. No Antigo Testamento (antiga aliança) a circuncisão (individual) era o ato de entrada visível na comunidade da fé. A circuncisão era realizada apenas uma vez, na criança filha de pais crentes. A páscoa (coletiva) era a celebração contínua (realizada várias vezes) em ocasião específica, quando o povo se reunia para adorar a Deus, lembrando se sua saída da escravidão do Egito para a terra prometida. No Novo Testamento a circuncisão é agora celebrada com uma nova forma, o batismo (individual). A refeição da Páscoa é agora a Ceia do Senhor (coletiva). Jesus nos insere na Nova Aliança (Mt 26.26-30; Mt 28.18-20).

Para participar da Ceia do Senhor, é necessário um vínculo de fé, compreendendo exatamente a relação entre o símbolo e a coisa significada, caso contrário a pessoa trará juízo para si (1 Co. 11.28-30). A Bíblia é clara sobre a necessidade de estarmos “reunidos no mesmo lugar” (1 Co. 11.20) e chama atenção para o fato de cada um comer antecipadamente a sua própria Ceia como um erro (1 Co.11.21). Nas Confissões de fé ao longo da história da Igreja a Ceia do Senhor sempre foi entendida como um momento especial de unidade de todos no mesmo lugar, “na congregação do povo de Deus” (Confissão Belga, 1562, artigo 35). O Catecismo de Heidelberg (1563) nos lembra que a Ceia do Senhor é a manifestação da “comunhão do Corpo” e que o cristão pela graça está “unido cada vez mais ao santo corpo de Cristo”. Os Cânones de Dort (1618-1619) afirma que os apóstolos e mestres, “não descuidaram de manter o povo, pelas santas admoestações do evangelho sob a ministração da Palavra, dos Sacramentos e da disciplina”. A Confissão de Fé de Westminster (1647) no Capítulo XXIX afirma que a Ceia do Senhor deve ser ministrada “tão somente aos que se acharem presentes na congregação” (Mc 14.22-24; At 20.7; 1 Co 11.20).

Sendo assim, concordo com o teólogo Dr. Scott Swain; “Por enquanto, o caminho para participar da Ceia do Senhor está fechado para todos nós. Por enquanto, não somos chamados para festejar, mas para jejuar. O que leva ao que acredito ser a resposta pastoral apropriada em nossa atual crise. Em situações de perda como essa, precisamos aprender a lamentar, e devemos ensinar o povo de Deus a lamentar, algo bastante difícil para aqueles (como eu) que estão acostumados à gratificação instantânea.”
(https://coalizaopeloevangelho.org/article/devemos-transmitir-a-ceia-do-senhor-online/)

Por último, se a Igreja abre esta oportunidade “on line”, ela estará “validando” a mesma prática para o futuro, pós-pandemia, ou seja, as pessoas poderão realizar os sacramentos em suas casas, deixando assim, a beleza da comunhão dos santos (Hb 10), negando o propósito do sacramento e nossa história confessional.
Oremos, para que Deus nos dê em breve a alegria de nos reunirmos, todos os membros, no mesmo lugar, na Casa de Deus e celebrarmos juntos a Ceia do Senhor, cheios de alegria e fé.

Rev Dr Leonardo Sahium

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