Pastorais
ROTA DE FUGA

23 de maio de 2020

A tentativa de conectar o passado recente com um futuro incerto talvez seja um dos exercícios mentais mais praticados pela população mundial. Este período transicional impacta a existência humana e propõe uma redefinição dos caminhos que tinham traços de obviedade. Apesar das diferenças culturais, ideológicas, éticas, financeiras e religiosas, havia algum nível de previsibilidade. Os nichos estavam estabelecidos, as contradições e polarizações eram justificadas pela dinâmica do “jogo” democrático.

De repente, surge a sensação de que o planeta está suspenso, pausado e com um destino incerto. As orientações sobre o amanhã estão fragilizadas.

Existe uma insegurança na construção de um argumento consistente e coerente. A incerteza se agiganta diante das mais preparadas mentes que buscam diagnosticar o presente e sugerir possibilidades futuras. O que se impõe é uma sociedade estática, em choque e perplexa diante deste cenário desconhecido. A insistente tentativa de controlar todas as variáveis para a produção de um planeta seguro e estável foi nocauteada.

A busca pelo refino e sofisticação existencial balizados em elementos como revolução tecnológica, reinvindicação de direitos, globalização e consumo de bens e experiências é abruptamente interrompida. O projeto de nutrir o ser humano com distrações, entretenimentos e assuntos menos relevantes caminha para um esgotamento. Uma engrenagem principal e da qual as demais dependem está ameaçada, ou seja, a sobrevivência.

Os profissionais de saúde e os pesquisadores promovem uma força tarefa sem precedentes na história recente para vencer um vírus que reapresenta a humanidade uma antiga inimiga: a morte. Ela sempre desempenhou o seu papel, mesmo diante dos esforços globais para esconde-la. No entanto, a pandemia abre as cortinas do palco da vida real e revela aquela que expõe a fragilidade e a limitação humana. O medo e o desespero tomam a plateia que percebe o avanço da “atriz” pelos corredores do teatro Terra. O pavor aumenta quando os expectadores descobrem que não é uma mera encenação e todas as portas estão trancadas!

Eis que surge aquele que sempre ofereceu a única rota de fuga para esse homem desesperado: Jesus Cristo. Ele venceu a morte para dar vida a todos que creem no seu nome. Por isso, Paulo escreve à igreja em Corinto. “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (I Co 15.55-57).

Talvez, a tentativa de esconder a realidade da morte decorra do esforço de negar a necessidade de um salvador. Quem sabe o assombro diante dela no momento, seja uma oportunidade para responder ao doce convite de Jesus que diz: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6). O único que pode oferecer vida eterna é Jesus. Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá”. (Jo 11.25).

A igreja está em oração para que os pesquisadores e cientistas descubram a vacina e o melhor medicamento contra o COVID 19. Esta solução irá produzir alívio e também a retomada do percurso ordinário. No entanto, a principal missão da igreja é anunciar que Cristo ressuscitou e, por isso, concede a rota de fuga para a eternidade a todos que creem nele. Esta sempre será a mais importante mensagem de esperança para a humanidade!

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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