Pastorais
SER OU FAZER

13 de novembro de 2020

Historicamente o ocidente tende a laçar sua maior ênfase ao fazer, e o Oriente ao ser. O que somos sempre pareceu mais importante para o oriental; o ocidental sempre está querendo fixar-se no que fazemos. Um exalta o verbo ser; o outro, o verbo fazer.

Fosse perfeita a natureza humana, não haveria discrepância entre ser e fazer. O homem não decaído simplesmente viveria de dentro, sem dar a isso um pensamento sequer. Suas ações seriam a verdadeira expressão d seu ser interior.

Contudo, com a natureza sendo o que é, as coisas não são simples assim. O pecado introduziu confusão moral e a vida ficou complicada e difícil. Aqueles elementos do nosso íntimo cujo propósito era trabalhar juntos em inconsciente harmonia, muitas vezes ficam isolados uns dos outros total ou parcialmente e tendem a tornar-se positivamente hostis uns aos outros. Por esta razão é extremamente difícil conseguir simetria de caráter.

Da profunda confusão interna surge o antagonismo entre ser e fazer, e o verbo a que damos nossa ênfase coloca-nos numa das duas categorias: somos ser-edores ou faz-edores, uma ou outra coisa. Em nossa sociedade civilizada moderna a ênfase recai quase totalmente no fazer.
Nós cristãos não podemos fugir a essa questão. Devemos descobrir onde Deus lança a ênfase e acercar-nos do esquema divino. E isto não deve ser demasiado difícil, visto que temos diante de nós as Sagradas Escrituras com toda a sua riqueza de instruções espirituais, e para interpretar essas Escrituras teremos o próprio Espírito que as inspirou.

Devemos iniciar a necessária reforma desafiando a validade espiritual do externalismo. Deve-se demonstrar que o que um homem é, é mais importante do que o que ele faz. Enquanto a qualidade moral de qualquer ato é conferida pela condição do coração, pode haver um mundo de atividade religiosa que provem, não de dentro, mas de fora, e que parece ter pouco ou nenhum conteúdo moral. Esse comportamento religioso é imitativo ou reflexo. Brota do generalizado culto da comoção e não possui nenhuma vida interior veraz.

A mensagem “Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27) precisa ser restabelecida na igreja. Precisamos mostrar a uma geração de cristãos agitados, quase frenéticos, que o poder está no centro da vida. Velocidade e barulho são evidências de fraqueza, não de força. A eternidade é silenciosa; o tempo é ruidoso. A nossa preocupação com o tempo é triste evidência da nossa básica falta de fé. O desejo de sermos dramaticamente ativos é provado nosso infantilismo religioso; é um tipo de exibicionismo comum no jardim da infância.

A.W. Tozer

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