Pastorais
SINGULARIDADE E COMUNHÃO

29 de agosto de 2014

A construção histórica de uma pessoa é marcada por situações e fatos que resultam da singularidade humana. As suas experiências não podem ser reproduzidas ou percebidas por outros na mesma dimensão e intensidade. Por exemplo, um determinado acontecimento promove alegria para uns e tristeza para outros, e mesmo assim, o estado de alegria ou tristeza é especifico para cada indivíduo. Diferente da produção em série oriunda da revolução industrial, cada ser humano foi projetado, moldado e lapidado por Deus para ser único e inconfundível. Não importa quantos bilhões de pessoas já habitaram nesta terra, a biografia de alguém será definida pela soma de caminhos, valores, personagens, sentimentos, perdas e conquistas que somadas jamais serão equivalentes em outro indivíduo.

Ao mesmo tempo em que este fato é belo e grandioso, com a entrada do pecado ele se torna um problema patente na vida comunitária. Surge o egoísmo e com ele, uma forte inclinação para medir a experiência do outro com a própria régua e pesar os sofrimentos do próximo com uma balança inadequada. Cria-se, então, um terreno fértil para a intolerância, a crítica, o desrespeito e o falso julgamento. As relações se tornam desesperadoras na ausência de um referencial de convergência. Desconectados do Criador, os desajustes, as sobreposições e as colisões nos relacionamentos se tornam inevitáveis e promovem feridas que marcam profundamente a alma.

A fé cristã propõe reorganizar este desajuste promovido pela queda. Ao crer em Cristo como salvador, os filhos de Deus são convocados para desfazerem da prática individualista e desenvolver a compaixão, o amor e a misericórdia para com aqueles que estão ao seu redor. Entendem que, assim como Deus os amou, precisam exercitar o mesmo amor nas relações interpessoais. São convocados para conviver com paciência e bondade diante da multiplicidade e singularidade daqueles que estão à sua volta. Isso é possível apenas através do poder do Espírito Santo. Ele produz o verdadeiro amor nos corações dos filhos de Deus e os auxilia em direção à unidade, harmonia e paz.

As diferenças não podem ser maiores do que o poder agregador e conciliador do Espírito de Deus. Por isso, a necessidade de vasculhar a alma e identificar se os sentimentos e disposições que estão sendo produzidos em relação ao outro decorrem da natureza caída ou da obra santificadora do Senhor. Suplique a Deus para que lance luz sobre as intenções, motivações, palavras e ações que são emitidas constantemente e afetam os familiares, amigos, colegas e irmãos de fé. Este processo lhe ajudará na comunhão saudável com quem pensa diferente. Você é único e singular, mas separado por Deus para vier pacifica e alegremente em comunidade.

Rev. Alexandre Rodrigues Sena

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