Pastorais
Uma comunidade de santos, mas pecadores!

14 de março de 2013

É recorrente encontrar nas igrejas evangélicas pessoas que, mesmo frequentes nos cultos públicos, tem dificuldade de aumentar sua intimidade com a família da fé. Isso pode acontecer por comodidade, indisposição, medo da exposição e diversas outras causas que mantém o povo de Deus segregado.

O isolamento cristão não encontra sustentação bíblica, pelo contrário, inúmeros textos convocam o povo do Senhor para viver em constante interação. Tal preceito está na essência da lei: “amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19.18b). Jesus afirma ser a videira e nós os ramos (Jo 15.5). O apóstolo Paulo usou outra figura e escreveu que somos os membros que formam o corpo de Cristo (1 Co 12.27). Na parábola da ovelha perdida aprendemos que o desejo do pastor é ter o rebanho num ambiente de convivência comum e ao alcance dos seus olhos (Lc 15.3-7).

No entanto, é importante dizer que essa relação fraternal nem sempre será tranquila, sem conflitos, confortável e repleta de benesses. Fazemos parte do povo do Senhor, mas o pecado ainda é uma realidade. Ferimos e somos feridos, discordamos e discordam de nós, às vezes não nos sentimos cuidados e também não cuidamos de todos os que precisam. Erramos nas mesmas questões por uma razão muito simples, somos uma comunidade de pecadores.

Por isso, para que essa comunidade sobreviva é necessário reconhecer que não há um melhor que outro, pois todos são igualmente dependentes da graça, do perdão e da misericórdia de Deus. Para que a vida em comunidade flua, precisamos seguir a orientação do apóstolo Paulo: “Digo porém, andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl 5.17). Cada membro precisa guerrear firmemente contra os seguintes elementos em seu coração que impedem a unidade: “impurezas, inimizades, iras, discórdias, dissensões, invejas, facções” (Gl 5.19-21).

A vitória nessa luta será possível apenas quando andarmos no Espírito, pois Ele nos transforma em pessoas mansas, amorosas, alegres, pacíficas, longânimes, bondosas e com domínio próprio (Gl 5.22,23), ou seja, com tudo o que precisamos para viver em perfeita união. Na comunhão com os irmãos, amamos e somos amados, consolamos e somos consolados, perdoamos e somos perdoados. Não há lugar melhor para se viver, conforme escreveu Larry Crabb, a igreja continua sendo o lugar mais seguro da terra.

Essa é a família da fé, chamada para celebrar em comunidade os feitos de Deus e a atuação do Espírito Santo, mas que também experimenta as fagulhas provindas da carne, tencionando as relações entre os irmãos. Enfim, somos um povo santo, separado, comprado e lavado pelo sangue de Cristo, que vive em unidade e amor, mas ainda pecador!

 

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Rev. Alexandre Sena

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